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Abre e fecha da Escola: como fica o emocional dos alunos?

O cenário jamais imaginado está acontecendo em Londrina, ora as aulas podem ser no modelo híbrido (com parte delas no presencial), ora não podem. Por conta da pandemia da COVID-19, as escolas do mundo todo foram obrigadas a fechar suas portas durante um longo período.

Na cidade, o poder público jamais liberou as aulas presenciais. No mês de março, completará um ano inteiro assim. Neste período, os colégios funcionaram por pequenos momentos, por meio de liminares. Desde o início da pandemia, nenhuma escola pode funcionar por um mês consecutivo.

No mundo todo, as crianças precisaram ficar dentro de casa, isoladas dos avós, amigos, primos e professores. As aulas foram feitas a distância e toda a rotina familiar e educacional foi completamente alterada. Porém, em muitos países, estados e cidades, este contexto já mudou.

Quais são os prejuízos sem as aulas presenciais?

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Após um longo período de isolamento social, um novo olhar para crianças e adolescentes foi construído. O processo de ensino-aprendizagem mudou. Dois pontos se destacaram neste novo contexto e merecem toda atenção do Colégio e dos pais.

O primeiro e mais evidente é a necessidade pedagógica de voltar a ter aula na Escola. Afinal, muitos educandos não se adaptaram aos estudos online e em casa. Estudar fora do ambiente escolar não é fácil para todos. Os alunos de Educação Infantil e Fundamental Anos Iniciais tendem a ter mais dificuldades de apresentarem motivação, vontade e organização para seguirem com as atividades virtuais.

Além disso, há um outro ponto bastante relevante e que, a cada dia mais, afeta os alunos dos diferentes segmentos educacionais. É a necessidade emocional do retorno ao ambiente escolar. Crianças, adolescentes e jovens precisam de interação social para se desenvolverem. Sem o convívio diário do Colégio, isso fica bastante prejudicado.

A pandemia já alterou a lógica de como cada pessoa enfrenta as incertezas e as angústias vividas no dia a dia. A Escola, mais do que nunca, precisa estar preparada para atuar neste novo jeito de ver a vida.

A importância das competências socioemocionais

Neste sentido, o desenvolvimento das competências socioemocionais ganhou, ainda mais, relevância. Elas são de extrema necessidade nesse processo de volta à rotina, especialmente para a criança pequena. Professores e alunos terão que desenvolver resiliência e capacidade de inovação, para se adaptar ao novo cenário.

As habilidades socioemocionais são um conjunto de competências relacionadas às próprias emoções e à capacidade de se relacionar consigo mesmo, com o meio que o cerca e com o outro.

Além disso, são atitudes individuais manifestadas no modo de agir, de pensar, de sentir, de fazer, de tomar decisões, de enfrentar situações adversas, do comportamento ético, do olhar coletivo, da competência, da transparência, da justiça, da resiliência, da responsabilidade, da autogestão, da imaginação criativa e do poder inspirador em transformar realidades.

Como é possível observar, essas competências estão presentes no dia a dia de qualquer pessoa e são essenciais para que o indivíduo tenha uma vida saudável e construa boas relações consigo mesmo, com o outro e com o ambiente.

Como as habilidades socioemocionais podem ajudar neste momento?

No contexto londrinense, não há, por parte das autoridades, uma unidade nas tomadas de decisões quanto ao funcionamento das Escolas. Os poderes legislativo e executivo estadual falam uma coisa, a prefeitura diz outra e os vereadores também buscam um caminho diferente.

Mais do que isso, no Judiciário, também não existe um consenso ao redor do tema. Juízes e desembargadores já decidiram pela abertura e pelo fechamento dos colégios em Londrina. Hoje e, por enquanto, até o dia 28 de fevereiro, os Colégios não podem receber alunos presencialmente.

Dada toda esta insegurança na continuidade do trabalho, os planejamentos pedagógicos têm que ser adaptados constantemente. Com os alunos em casa, trabalhar conteúdos atitudinais fica mais difícil. Afinal, as famílias têm valores distintos.

Por conta disso, a nova escola, no contexto em que estamos inseridos, precisa ser mais humana e terá que aperfeiçoar sua relação com as famílias e acolher seus alunos. O Colégio Universitário está pronto para isso e para desenvolver os alunos de forma integral: corpo, mente e emoções.

 A pandemia evidenciou a importância de se trabalhar necessidades de desenvolvimento humano, já enumeradas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). No Universitário, há décadas, trabalhamos muito o eu, o nós, o outro, o autoconhecimento e os conteúdos atitudinais. Tudo isso, por meio da parceria com as famílias.

A Escola é o principal meio do desenvolvimento socioemocional de crianças e adolescentes

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Percebemos, portanto, a importância da escola na formação de vínculos, relacionamentos, que vão além do desenvolvimento cognitivo. Mais do que nunca, a pandemia nos trouxe a convicção de como o Colégio é fundamental para o desenvolvimento emocional e é o segundo porto seguro das crianças e adolescentes.

Neste momento de afastamento da rotina escolar e da incerteza de um retorno presencial, muitos alunos começaram a apresentar comportamentos regressivos, como se desaprendessem as normas de convivência, o dividir alegrias e as emoções. As partilhas passaram a ser somente no vínculo familiar, com as limitações e singularidades de cada núcleo.

As brincadeiras coletivas desapareceram e, de repente, os educandos ficaram restritos ao mundo virtual. As relações foram ressignificadas e o relacionamento com o professor deixou de existir na sua essência de “olho no olho” e da percepção das reações do “outro”.  

Diante deste novo cenário, surgiram dificuldades de aprendizagem, de desenvolvimento da linguagem e de organização da rotina de estudos. Tudo isso bastante trivial dentro do universo escolar. Afinal, a Escola e os professores também são organizadores de tempo, ritmo e rotina escolar dos alunos.

Como as famílias podem colaborar?

Sem o dia a dia na escola somado ao difícil contexto de abre e fecha dos colégios, a ação das famílias é central, pois são parceiras no processo de desenvolvimento das crianças e adolescentes. Os pais podem ajudar os filhos na superação deste desafio.

O objetivo é ajustar a vida para algo mais leve, com menos cobranças e comparações. Cada aluno é único e este período de incerteza vai passar. Inclusive, o Universitário está acompanhando atentamente cada família.

Ao longo da pandemia, o Colégio fez alguns eventos com psicólogas para auxiliar as famílias neste desafio. O primeiro para alunos de 6º ao 9º ano e o segundo para o Ensino Médio e Cursinho. Foram reuniões ricas e de muita troca.

Mas, por conta da impossibilidade de o aluno estar ao lado da equipe pedagógica da Escola, os pais podem e devem observar alguns sinais e fatores, que poderão impactar negativamente no desenvolvimento e indicar dificuldades emocionais.

Neste período, o educando poderá apresentar depressão, distúrbios alimentares, distúrbio no sono, dificuldades na comunicação e na linguagem (apresentando gagueira e dificuldade para formar frases) e comportamentos regressivos.

A ausência das aulas presenciais não significa, necessariamente, o isolamento social. Isso não deve ocorrer. Para evitar estas situações, diversos recursos, que não são necessariamente tecnológicos, podem ser utilizados. O mundo virtual não é o real. O “mundo real” é fundamental para o desenvolvimento de emoções pautadas na realidade. Isso só é possível com o enfrentamento de situações reais, que nos dão recursos internos para a adaptação e superação de questões desafiadoras.

Por isso, os pais devem ser solidários aos sentimentos de seus filhos: escute, acolha, observe os medos, as perdas familiares e sempre tenha um tempo para ouvir as crianças e os adolescentes. É muito importante para o filho poder verbalizar seus sentimentos, para a compreensão e a desmistificação deles.

E por fim, é fundamental que os pais saibam que, mesmo na posição de referência na família, acima de tudo, eles são indivíduos e estão sujeitos a falhas, dúvidas, incertezas e medos. Portanto, colocar limites é primordial, mas cuidar, acolher e promover o desenvolvimento saudável, por meio da escuta, acolhimento e valorização do espaço escolar, são igualmente importantes.

 

Neste desafio, o Universitário está à disposição para auxiliar e ajudar todas as famílias, enquanto acompanhamos todas as movimentações para que as escolas possam receber novamente os alunos presencialmente.