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Geral 2020
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PROVÁVEIS REFLEXÕES DE UMA MÃE

         De repente, nós nos vemos todos em casa. Desaparece a correria da manhã: Filho, levanta!!! Você vai perder a primeira aula!!!

         A pressa desaparece. Já não há necessidade dela, pois o relógio parece que parou, o controle do tempo já não é imperioso. Controlada e sendo controladora, percebo que o não domínio das situações torna-se evidente, e mostra minha impotência e fragilidade.

         E eu, que pensava ter todo o controle das situações em minhas mãos, acostumada a resolver todo tipo de problema, os meus e, muitas vezes, também os dos outros, agora me vejo numa situação que tira meu chão, diante do medo e ansiedade que todo o contexto traz. 

         Sensação real do perigo, do medo, da incerteza, da insegurança em vários aspectos e sei que tudo isso ameaça a mim e a minha família!!! Aí vem a pergunta em meu coração... Como proteger a mim, meu esposo, meus filhos, meus pais, meus sogros, tios, amigos e parentes se o “inimigo” é invisível e ameaçador? Olho os jornais, os sites e percebo as estatísticas! Serei mais uma??? Aqui em Londrina, convivemos com diversos riscos: dengue, COVID-19!!!

         Com as recomendações de precaução, eu me encontro em casa, precisando dar conta de todos os afazeres que eram antes, em boa parte, delegados a outros. E tudo isso sem poder sair para as atividades do dia a dia, sem a academia, sem o shopping, sem o salão e o trabalho!!?? Home office??? Como assim??? Esse triplicou...... ufa!!!! O que fazer com o tempo livre dos filhos ecom a casa??? E com as tarefas e estudos das crianças??? Ainda diante de tarefas e aulas on-line a que não estou habituada, tendo que me reinventar, pois fui “jogada” num momento, numa situação para a qual não estava preparada. Situações como essa talvez estejam acontecendo com você.

         Situações novas nos trazem sempre alguma inquietação, pois nos tira da zona de conforto com a qual já estávamos acostumados, mas também nos traz a possibilidade de refletirmos sobre isso. Percebemos que a história da humanidade nos diz isto: em cada crise, surgem novos estilos de vida, novas posturas, pois temos sempre a capacidade de nos reinventar. Somos seres capazes de nos adaptar e de nos (re)significar. E isso abre possibilidades de renovar nossos valores, nossos relacionamentos e de rever nossas condutas, nossas rotinas, que às vezes fazemos como que sem sentido, apenas para cumprir um protocolo. Fazendo sempre as mesmas coisas, elas de repente ficaram rotineiras e posso agora começar a pensar no significado e no sentido de algumas delas.

         Que tal então pensarmos em rever algumas questões que estão nos deixando incomodadas? Ah, que bom! Se há o incômodo, é sinal que não dá para negar estes sentimentos. Quando nego, eles aparecem de outras formas. A “tristeza reflexiva” é sinal para buscarmos nos conhecer, para revermos situações, relacionamentos...

         Que tal prestar atenção no que tem te deixado triste, irritada? Pense que é esse ponto que pode trazer possibilidade de mudança.

         Vamos lá...

         Tenho controle de tudo? Percebo que gasto mais tempo ansiosa, com medo daquilo que pode acontecer, do que concentrada em meus esforços e no que realmente posso fazer?

         O que esse sentimento de querer controlar tudo me diz? Quais meus receios? Será que não posso encarregar os meus filhos da responsabilidade e da possibilidade de perceberem o que posso fazer por eles e o que eles precisam fazer sozinhos? Que tipo de conflito estou vivendo em casa? Todos num mesmo espaço todo o tempo? Mas será que posso perceber melhor o outro, conversar mais agora, pois tenho o tempo que antes eu não tinha? 

         Não será uma oportunidade de me aproximar, de acolher, sabendo que os problemas de relacionamento podem surgir, mas que nos amamos o suficiente para lidar com as diferenças?

         Agora, percebemos que, assim como precisamos estar juntos, temos também que respeitar o tempo, o espaço e os desejos de cada um, e, em alguns momentos, até abrir mão do que queremos, para negociar, partilhar emoções e vivências...

         Ouvir o outro: acostumados a falar, administrar, esquecemos que a escuta é fundamental.

         Que tal escutar-se também e pensar possibilidades e oportunidades que a quarentena nos está trazendo?

         Com muito carinho escrevi esse texto para todos nós... Iniciei com o título “reflexões de uma mãe”, mas ao terminá-lo percebi que o mesmo é para mim, para você, para os pais, para os filhos, as filhas, os avós, os netos, as netas, as crianças e aos adolescentes, porque o mundo todo passa pelas mesmas angústias e dores...

         Mas é tempo de Páscoa – Renascimento...

 

         Tenham um domingo de alegria e paz, mesmo diante do contexto que estamos inseridos.